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TÉDIO VESPERTINO

Olhos de vidro

colados na janela do quarto

Meu corpo imerso entre o chão e o teto

azulejos de minha alma descolam da parede

e flutuam como discos voadores

Toda realeza é surrealista

Poetas e marginais

diferem somente na hora da morte

uns escrevem sua epígrafe

e os outros cavam a sua própria sepultura

Minha vontade não é meu prazer e meu prazer escorre na direção do sangue que corre em minhas veias…

Sadomansamente me esqueço do verbo das palavras dos versos

e adormeço no colo do meu inimigo analfabeto.

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Penso que os dias são belos quando conseguimos viver um dia inteiro Tento fazer de um instante um momento que se transforme num acontecimento Tenho pra mim que o presente é o meu futuro mais urgente Sinto uma tristeza imensa quando vivencio muitas alegrias Porquê não somos tudo isso, porquê não somos só isso Somos um pouco mais e um pouco menos do que podemos ser E aí o meu riso  o meu choro se confundem na sua cama Na sua calma e na sua pressa de definir as coisas na necessidade de dizer que é isso ou aquilo Toda a certeza dos meus dias se confundem na incerteza dos meus sonhos Tudo pode ser um vir a ser quando pensamos que ainda nem somos Que nem fomos o que podemos ter...

Te amo !

quando amanheço quando acontece quando eu consigo dormir quando eu me perco ao te encontrar quando anoiteço quando eu te vejo quando eu te esqueço quando eu tomo café quando vejo suas marcas ao acordar quando estou bêbado quando eu me esqueço quando vejo seus olhos tristes quando estou lúcido quando ouço seu riso frouxo quando viajo pro além quando não tenho pra quem ligar quando estou sem ninguém quando estou nas nuvens quando estou no meio da multidão quando piso no palco quando fico triste quando ouço vozes na escuridão quando ilumino meu ser na imensidão quando não consigo te encontrar Te amo assim sem  ser e sem estar Te amo na sala de jantar embaixo do sofá no momento em que não está naquilo que não há há de haver há de ser e não será Te amo em qualquer lugar...